A nova Chevalier é uma investigadora do desconhecido a serviço da França. Suas aventuras envolvem perigos e a recuperação de artefatos perdidos. Mas, dessa vez, a coisa é pessoal. Alguns soldados franceses foram mortos no norte da África e parece ter relação com a mesa de Salomão. Um objeto que foi pesquisado a fundo por seu falecido pai que teria morrido junto da mãe dela em um incêndio acidental. Só que... parece que não foi tão acidental assim.
Sinopse:
O ano é 1927 e o assassinato de um soldado em um hospital militar em Marrocos dá início a uma corrida por um artefato valiosíssimo, desaparecido há mais de mil anos: A Mesa de Salomão, o Rei dos Reis, que concederia a seu possuidor a sabedoria de mil sábios. E quando a investigação realizada pelo Bureau aponta que a arma é a mesma utilizada no assassinato dos pais da atual La Dame Chevalier, a agente decide viajar para o norte da África em busca do artefato e de respostas. Acompanhada da jovem Justine Carbonneau, as duas seguem para o deserto em meio a uma guerra entre o império e os berberes, que lutam pela independência. Mas a Chevalier terá concorrência. Mercenários, liderados pela misteriosa organização Ostia Mithrae, também pretendem reivindicar o prêmio e estão dispostos a destruir qualquer um que se interpor em seu caminho.
O mundo de histórias criado por Cordenonsi nas aventuras do Chevalier é sempre repleto de aventuras. Se eu desejo uma narrativa com reviravoltas, com mistério e um pouco de ação, é aqui que recorro. Toda vez que pego um livro escrito por ele já sei que será algo que vai me divertir, descompromissadamente. Até tem em alguns momentos algum tema mais sério escondido na trama, mas esse não é o efeito. Em La Dame Chevalier e a Mesa Perdida de Salomão, o autor se desafia mais uma vez ao criar outro personagem que emprega o título de protetor da França e nos apresenta uma mulher. Mais uma vez o autor conseguiu criar algo legal e que pode ser lido por todas as idades. Gostaria que mais autores experimentassem o estilo de escrita do Cordenonsi, sem as amarras de criar uma grande história, ou uma narrativa crítico-reflexiva que aborde um tema atual. Às vezes é bom variar um pouco e ler porque é algo legal a se fazer. É o tipo de história que posso presentear qualquer pessoa que certamente será algo bacana.
No passado, a nova Chevalier passou por um drama pessoal. Sua família morreu em um terrível incêndio o qual ela pensava ser acidente até então. Tendo sido treinada pelo Chevalier anterior, ela é chamada para investigar um caso sensível no norte da África. O que parecia ser mais um dia na vida da personagem se revela algo mais quando ela descobre que existe um dossiê secreto sobre ela, com investigações sobre o que poderia ser o assassinato de seus pais por uma organização secreta que está atrás da mesa perdida de Salomão. Ou seja, ir até a África e investigar o caso não é mais só um caso de segurança nacional, mas algo pessoal e que pode revelar mais sobre o passado dela. Mas, a Dame Chevalier terá que lidar com a alta energia de sua ajudante Justine que irá colocar as duas em apuros a todo o momento. O deserto pode esconder inúmeros segredos...
Esse é mais um livro que se passa no universo criado pelo autor. Não há necessidade de se saber nada sobre o mundo que ele criou já que esta é uma narrativa independente. Todos os detalhes que você precisa saber, Cordenonsi te passa sempre que possível. Alguns podem me perguntar se existe algum easter egg de livros anteriores... olha, se tem é algo bastante sutil. Até vi uma coisa ou outra, mas não me remeteu diretamente. Apenas me passou uma sensação de familiaridade. A abordagem steampunk do autor é também bem leve, com umas traquitanas aqui ou ali como o escorpião drozde da protagonista. Essa é uma escrita bem segura, em uma narrativa em terceira pessoa, sem grandes firulas. Como disse, é um ótimo livro de entrada, não emprega nenhum tipo de jargão técnico ou algo que o valha. Essa preocupação que o Cordenonsi tem com quem vai pegar o seu material para ler é muito válida. É um livro pequeno, que o leitor vai conseguir devorar em pouco tempo. Sou da opinião que esse é daqueles materiais que não são necessariamente voltados para o tarado por livros, aqueles de nós que comem livros no almoço e se esbaldam em séries com mais de mil páginas. É um livro mais acessível a um público que não tem o hábito da leitura.
Neste material havia um grande desafio para Cordenonsi. Apresentar um personagem novo, com motivações diferentes do seu agente secreto anterior (que era um sujeito que partia para a ação) e inserir algum tipo de trama situada no passado que pudesse confrontar a personagem no presente causando algum tipo de transformação. A Dame Chevalier é um pouco diferente do Chevalier anterior, sendo alguém mais investigativa e que parte para a ação quando é chamada, mas não tem problemas em encontrar outras saídas. Ser a tutora de Justine a coloca também em uma outra série de situações complicadas porque sua parceira é mais elétrica do que ela. Frequentemente vão bater cabeça por causa de como elas abordam os problemas, mas é bem legal ver a relação das duas sendo esmiuçada para o leitor ao longo das páginas. Nisso, o autor foi muito feliz em me apresentar dois personagens que são empáticos e que gostamos de ver tomando conta da narrativa. O passado da personagem serve como um motivador adicional para despertar o espírito da aventura. Nos momentos em que a personagem poderia estar presa aos procedimentos mais burocráticos de sua agência, ela toma atitudes mais impulsivas com base em algo que é interno para ela.
A narrativa é bem linear com momentos de investigação e outros em que as personagens precisarão fazer uma perigosa jornada pelo deserto. Somos apresentados a inimigos e aliados que podem mudar de lado de acordo com o desenvolvimento da narrativa. Como a história é curtinha, não há tempo para desenvolver bem os personagens e o autor escolhe, acertadamente, se concentrar mais na Chevalier e em Justine. Além do caso ser complicado para ela, existe uma subtrama em que a protagonista precisa decidir o que fazer com Justine. Ela não gostaria que a mesma fosse arrastada sempre em missões perigosas sem poder fazer uma faculdade ou algo que fizesse jus às suas capacidades intelectuais (Justine é alguém que conhece bem o funcionamento de máquinas e drozdes neste mundo). Achei a trama bastante satisfatória e ela se encerra bem em si mesma, apesar de que eu não me incomodaria nem um pouco em ver mais histórias com esses personagens. Se esse era o objetivo do autor funcionou muito bem.
Ao final da leitura, teremos uma sensação de história finalizada e uma aventura vivida. Cordenonsi continua acertando a mão em suas histórias de aventura e traz aos leitores mais um pouco desse gênero que deveria ter mais espaço. O resultado final é um livro acessível, indicado para todas as idades e que possui os ingredientes certos para agradar a uma ampla gama de leitores. Se você não curte a leitura, pode vir; se você quer uma leitura descompromissada entre livros mais pesados, essa pode ser uma ótima saída. Convido todos a conhecer o mundo emocionante de La Dame Chevalier.
Ficha Técnica:
Nome: La Dame Chevalier e a Mesa Perdida de Salomão
Autor: A.Z. Cordenonsi
Editora: Avec
Número de Páginas: 128
Ano de Publicação: 2019
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*Material recebido em parceria com a Avec Editora
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